O Stress Pós-Traumático é, frequentemente, uma condição subvalorizada no contexto das avaliações clínicas e periciais. Ao contrário de uma fratura ou de uma cicatriz física, o SPT habita no domínio do invisível, manifestando-se de formas complexas e, muitas vezes, com um efeito retardado que dificulta o diagnóstico precoce.
O Mecanismo do Trauma
Certas perturbações clínicas, desencadeadas por eventos traumáticos de moderada a intensa gravidade, conduzem a alterações comportamentais que nem sempre são imediatas.
É comum que as vítimas apenas reconheçam tardiamente os sinais, que são o reflexo de um quadro profundo de alterações psíquicas. Estas manifestam-se através de:
- Crises de ansiedade e pânico: Desencadeadas por estímulos que remetem à memória do evento (sons, cheiros ou imagens).
- Flashbacks: Onde a experiência dolorosa é revivida com a mesma intensidade emocional do momento original.
- Isolamento social e emocional: Uma tentativa de auto proteção que acaba por comprometer a vida familiar e profissional.
A Profundidade do Subconsciente
As experiências traumáticas instalam-se no subconsciente profundo.
Os sintomas variam desde medos persistentes e fobias específicas até à rejeição de atividades que antes eram quotidianas. No seu conjunto, estas alterações configuram um quadro clínico de SPT que exige uma abordagem multidisciplinar.
A Importância da Avaliação Pericial
A reintegração plena do indivíduo na sociedade e no mercado de trabalho depende de uma avaliação correta e atempada. A identificação clínica do SPT como sequela direta de um sinistro (seja um acidente de viação, de trabalho ou outro evento traumático) é fundamental.
Nota Técnica: A consolidação desta patologia como sequela implica uma valoração rigorosa da incapacidade permanente. Esta desvalorização deve ser integrada no cálculo do dano biológico, garantindo que a vítima seja ressarcida não apenas pelo que é visível, mas por todo o impacto na sua qualidade de vida.
Com a devida autorização deste paciente, expomos este como caso de sucesso do SPT., O “João” de nome fictício:
Quando o Barulho dos Travões não Calou o Medo
“O testemunho abaixo é um exemplo real de como o apoio especializado pode mudar o rumo de uma recuperação.“
“Durante meses, convenci-me de que estava bem. O acidente de carro tinha deixado apenas algumas escoriações e uma perna engessada. Mas, quando as feridas físicas fecharam, algo pior começou a abrir-se por dentro.
Eu não conseguia entrar num carro sem que as minhas mãos começassem a tremer. À noite, o som de qualquer travagem na rua fazia-me saltar da cama com o coração a mil à hora. Comecei a faltar ao trabalho, a evitar amigos e a fechar-me no meu mundo, achando que era apenas ‘nervosismo’.
Foi através da equipa da DiIP.PT que compreendi que o que eu tinha, chamava-se, e tinha um nome, uma patologia e até podia ter ajuda: Stress Pós-Traumático!
Eles não avaliaram apenas a minha mobilidade física; olharam para o meu pânico e para a minha incapacidade de viver como vivia antes.
Graças ao diagnóstico correto e ao relatório pericial detalhado, não só consegui o apoio terapêutico de que precisava, como vi a minha incapacidade ser devidamente reconhecida e valorizada. Hoje, o João que conduz é mais cauteloso, mas é um João que recuperou a sua liberdade.” Obrigado DiIP.PT.
